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abr
2018
SP-Arte/2018 apresenta crescimento nas vendas e aponta para retomada e otimismo do mercado

34 mil pessoas passaram pelo Pavilhão da Bienal durante os cinco dias de evento que reuniu mais de 160 expositores

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A 14ª edição da SP-Arte, que aconteceu de 11 a 15 de abril, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, contou com a participação de 132 celebradas galerias nacionais e internacionais de arte e de 33 expositores de design, entre galerias e artistas independentes. Edição mais concorrida, passaram pelo evento cerca de 34 mil pessoas.

O Festival, mais uma vez, reforçou o seu caráter plural, abraçando através da programação e seleção dos seus expositores diversas linguagens e manifestações artísticas. A intensa agenda de eventos que acompanhou a última semana em galerias e instituições culturais espalhadas pela cidade reforçaram o papel da SP-Arte como um agente impulsionador do consumo cultural. Acessíveis a diversos públicos, gratuitas e variadas, as atividades em torno da feira cumpriram também seu papel educativo e inclusivo, tanto socialmente como profissionalmente, possibilitando o acesso ao mercado de trabalho para novos artistas e profissionais do setor.

“Todos os indicadores econômicos recentes já sinalizavam para uma recuperação da economia brasileira. Iniciamos essa edição bastante otimistas e a nossa expectativa se confirmou: tivemos a concretização de ótimos negócios e um volume de vendas superior ao dos dois últimos anos”, afirma Fernanda Feitosa, diretora e idealizadora da SP-Arte.

“Cerca de 20% das obras negociadas custavam entre R$ 5 mil e R$ 10 mil e 30% até 50 mil reais. Esses números refletem uma oxigenação do cenário que a SP-Arte vem acompanhando ao longo de suas últimas edições, observada através da abertura de novos espaços e da formação de um novo público de colecionadores e apreciadores de arte”, reforça Fernanda Feitosa. “Ao mesmo tempo, o interesse do público por obras de artistas já consagrados se manteve. 37% das obras vendidas tinham estavam na faixa de R$ 50 mil a R$ 250 mil. E outras 16%, superam os R$ 250 mil”, complementa Fernanda.

Foram registrados bons negócios em todos os setores do evento, Solo, Repertório, Geral, Design e Núcleo Editorial. Entre os artistas brasileiros mais procurados , destaque para Abraham Palatnik, Alfredo Volpi, Arnaldo de Melo, Denise Milan, Franz Krajcberg, Lygia Pape, Marina Weffort, Nelson Leirner, Paulo Nazareth, Regina Parra, Rubem Valentim, Simone Cupello, Vik Muniz, Waldemar Cordeiro, entre outros. No campo internacional, destaque para os artistas Ai Weiwei, Antoni Tàpies, León Ferrari, Liliana Porter, Mladen Stilinovic e Roy Lichtenstein.

Destaques

Mais uma vez, a SP-Arte atraiu as mais renomadas galerias de arte do mundo, de 15 países distintos. A alemã neugerriemschneider, por exemplo, apresentou trabalhos do sueco Andreas Eriksson e do dinamarquês Olafur Eliasson, além da instalação do artista e ativista chinês Ai Weiwei – a peça foi uma das mais fotografadas pelos visitantes.

A londrina Stephen Friedman trouxe trabalhos em madeira de Stefan Balkenhol, artista que atualiza a tradição alemã de escultura entalhada e pintada. Já a White Cube, que mantém espaços em Londres e Hong Kong, trouxe obras de nomes de peso como os ingleses Damien Hirst e Antony Gormley, e ainda do alemão Georg Baselitz.

A Mendes Wood DM chamou atenção por uma montagem expositiva que fugiu das tradicionais paredes brancas. O estande da galeria foi cercado pelas cortinas azuis de Daniel Steegmann Mangrané. Ao centro, uma instalação de Kishio Suga, além de trabalhos de Paulo Nazareth.

No setor Solo, destaque para o artista recifense Bruno Faria, da galeria mineira Periscópio. O jovem chamou atenção com a exposição de um veículo em pleno Pavilhão: uma Brasília sucateada, enferrujada, em referência à decadência da capital do País.

As esculturas de Ilya Fedotov-Fedorov marcaram a estreia da Rússia no Festival com a galeria Fragment. Os trabalhos em tecidos de Marina Weffort, da Cavalo, encantaram o público pela delicadeza: moviam-se a cada brisa ocasionada pela aproximação dos transeuntes às obras.

No Repertório, a gigante americana Marian Goodman marcou presença com peças do francês Christian Boltanski. Entre as galerias nacionais que participaram do setor, a Sé, que apresentou uma série inédita de Arnaldo de Melo e Jaqueline Martins, com trabalhos do pintor e gravador gaúcho Victor Gehrard. Ainda pouco conhecidos pelo grande público, os dois artistas foram bastante procurados pelos colecionadores. Os bambus coloridos de Ione Saldanha também chamaram atenção dos visitantes no estande da Almeida e Dale.

A 14ª edição da Feira contou com a estreia de 29 galerias de arte, do Brasil e do mundo. Entre as 16 nacionais que pela primeira vez ocuparam estandes no Pavilhão da Bienal, 12 são de São Paulo e sua região metropolitana. É o caso, por exemplo, das novatas Adelina, Verve e OMA, Janaina Torres e Houssein Jarouche, todas, ao final do Festival, satisfeitas com o resultado.

Novidades

O setor Performance foi um dos destaques desta edição. Em um espaço dedicado a esta prática artística, o público pôde assistir a cinco performances simultâneas e ininterruptas, selecionadas por Paula Garcia, curadora independente e colaboradora do Marina Abramovic Institute.

Os artistas participantes permaneceram no local por todo o período do Festival, da abertura do Pavilhão até o cerrar das portas, dia após dia, em um exercício de resistência física e mental.

A dupla Protovoulia, formada por Jéssica Goes e Rafael Abdalla, criou cenários com uma grande quantidade de cinzas, terra e porcelanas. Ao longo dos dias, a dupla cercou a mesa do performer e chef Gabriel Vidolin e chegou a trocar de lugar com Karla Girotto, artista que improvisou coreografias por horas a fio.

O coletivo Brechó Replay promoveu uma série de ações chamando a atenção para a opressão sofrida pela população negra. Pouco a pouco, a causa tomou forma sobre as paredes que os cercavam, com frases com alusão à luta. Em meio a esse movimento, Paul Setúbal se mantinha concentrado enquanto sustentava uma escultura de 250 quilos de Franz Weissmann, se esforçando para não deixar que o monumento cedesse ao peso.

Mais uma vez, as visitas guiadas temáticas fizeram sucesso entre os visitantes. Em um universo de cerca de 2 mil artistas e mais de 5 mil obras, os circuitos se intercalaram, oferecendo ao público um olhar apurado acerca dos principais destaques desta edição. Os encontros, que reuniram mais de mil pessoas, foram guiados por profissionais da área.

Design

No setor Design, o público pôde conferir espaços organizados por 33 expositores, de grandes destaques do design brasileiro autoral, a respeitados antiquários e designers independentes – outra novidade desta edição.

Dos 12 criadores independentes, Ana Neute por Itens destacou-se com luminárias de capim dourado, fibra típica do Jalapão. A estreante Micasa foi ponto certo de visitantes com peças de ícones do surrealismo da arquitetura catalã: Salvador Dalí, com Leda Chair e Antoni Gaudí, autor do Banco Batlló e da Calvet Chair.

Entre os estandes em evidência, a Firma Casa foi sucesso de público com lançamento da coleção Astral, da arquiteta Candida Tabet, com nove peças exclusivas inspiradas nas formas do balaústre, elemento típico da arquitetura europeia. Jacqueline Terpins apresentou vasos de cristal incandescentes inspirados em blocos de gelo. Já a Prototyp& lançou uma linha inédita, com peças que evidenciam a conexão entre a pureza dos materiais e elementos xamânicos e indígenas.

A Etel apostou no certo: apresentou a coleção Únicos e múltiplos, que trouxe peças de três designers e arquitetos brasileiros: Jorge Zalszupin, Paulo Werneck e Oscar Niemeyer. A Ovo, por sua vez, chamou atenção com as duas linhas inéditas que apresentou ao público: Xeque, série de seis mesas inspiradas no jogo de xadrez, e Escrita, conjunto de cabideiros de aço carbono com banho de bronze.

As tapeçarias da Passado Composto do Século XX, uma delas reproduzida a partir de uma pintura de Alfredo Volpi e outra assinada por Genaro de Carvalho, também se destacaram no último piso do Pavilhão. Outro destaque do setor foi a exposição idealizada especialmente pela SP-Arte com 16 carrinhos de chá, assinados por nomes emblemáticos como Gregori Warchavchik, Lina Bo Bardi, Zanini de Zanine e Jorge Zalszupin, compreendendo nove décadas do design brasileiro.

Lançamentos

Importante plataforma de impulsionamento editorial nas artes, a SP-Arte recebeu o lançamento de mais de 30 publicações. O evento reuniu destacadas editoras e nomes do mercado de arte brasileiro e estrangeiro. Os lançamentos foram coletivos, atraindo um público diverso e garantindo uma interação constante no local.

Entre os títulos destacados, Cildo – estudos, espaços, tempo (editora Ubu); Beijing Overshoot, de Cláudia Jaguaribe (Estúdio Madalena); Carla Chaim (Cobogó); e O círculo de Theon Spanudis (Cult Arte e Comunicação).

Talks

Já tradicional na programação da SP-Arte, o programa Talks cumpriu sua missão e fez da 14ª edição do Festival Internacional de Arte de São Paulo um ambiente fértil para o diálogo sobre temas atuais e relevantes do campo das artes visuais.

Os cinco encontros – gratuitos e abertos reuniram artistas, colecionadores e especialistas de cultura em palestras e debates com o público. As mesas foram transmitidas ao vivo pelo Facebook da SP-Arte e contaram com a apresentação da jornalista Adriana Couto.

O painel de abertura do ciclo de debates abordou a arte e a diversidade de gênero. Participaram Ariel Nobre e Rosa Luz, artistas criadores de trabalhos multimídia bastante diferentes entre si, com um tema comum: a luta pela representatividade e empoderamento de trans e travestis. A conversa foi mediada por Paula Alzugaray, editora da revista Select, cuja última edição foi dedicada ao tema.

A relação da performatividade com o combate contra exclusão, social ou de gênero, foi o tema da conversa entre Paula Garcia, curadora do setor de Performance da SP-Arte, e dos artistas visuais Maurício Ianês e Bruno Mendonça. No terceiro encontro Raul Juste Lores, autor do livro São Paulo nas Alturas, fez um resgate sobre o “milagre arquitetônico” que aconteceu em São Paulo entre as décadas de 1950 e 1960.

O universo digital e sua influência sobre as artes deu o tom do quarto painel, com Giselle Beiguelman, artista, curadora e professora da USP, que apresentou seu último trabalho Odiolândia. Luli Radfahrer, apresentou um panorama da história das redes sociais e uma projeção sobre seu futuro.

O último debate girou em torno dos colecionadores nos novos tempos. Akio Aoki, diretor da Galeria Vermelho, mediou uma conversa entre Aaron Cezar, da Delfina Foundation, com o colecionador Pedro Barbosa. Em seguida, a norte-americana Betty Duker falou de sua coleção de arte latino-americana. Por fim Pulane Kingston, da África do Sul destacou a força dos trabalhos de artistas negras africanas, foco de sua coleção.

Prêmios

A artista Brígida Baltar, da Galeria Nara Roesler, foi a vencedora do prêmio de R$ 25 mil concedido pela Fundação Marcos Amaro. A SP-Arte entregou o Prêmio Illy Sustain Art de R$ 25 mil ao artista Rodrigo Cass, da Fortes D’Aloia e Gabriel.

Laura Belém, da galeria Athena Contemporânea, foi ganhadora do Prêmio de Residência SP-Arte de 2018, promovido em parceria com a Delfina Foundation, de Londres (Reino Unido). E Túlio Pinto, da Baró Galeria, foi nomeado para o prêmio latino-americano de aquisição EFG Bank & ArtNexus, criado para apoiar artistas cujo trabalho é pré-selecionado através de um processo de júri em cinco feiras de arte contemporânea do continente.

Doações

Durante a SP-Arte, uma série de instituições culturais foram agraciadas com trabalhos expostos no Pavilhão da Bienal, fruto de doações generosas dos amantes da arte. Até agora, doze obras já foram listadas como doações realizadas no Pavilhão, contemplando instituições como o MAM e a Pinacoteca.

Programação externa

Em 2018, a SP-Arte consolidou seu formato como Festival, lançado na última edição, espalhando-se pela cidade para além dos limites do Ibirapuera. Entre os dias 5 e 15 de abril, São Paulo recebeu cerca de 200 eventos voltados à arte e ao design: inúmeras aberturas de exposições e visitas guiadas em galerias e museus, performances, lançamentos de livros e uma série de atividades especiais que reuniram o melhor da arte brasileira e internacional por toda a cidade.

Nos dias 9 e 10 de abril, a capital paulista abrigou a terceira edição do Gallery Night, iniciativa que reuniu cerca 50 galerias e importantes espaços culturais paulistanos com o intuito de impulsionar o mundo das artes da cidade nos dias que antecederam o festival. Ao longo das duas noites, os apreciadores da arte puderam aproveitar a efervescência cultural da cidade ao circular pelos bairros de Pinheiros, Vila Madalena, Jardins e Itaim Bibi.

Entre os destaques, Turbulência, evento do Instituto Tomie Ohtake que reuniu uma intensa programação, entre conversas com artistas, visitas com curadores e ainda performance inédita de Bené Fonteles.

No dia 14, o público teve a oportunidade de visitar mais de 30 ateliês de artistas. Na ocasião, os artistas não só abriram a porta de seus espaços de criação ao público, mas também versaram sobre seus processos, linhas de pesquisa e apresentaram obras inéditas. Concentrado na Vila Madalena, o circuito permitiu passeios a pé entre quatro espaços coletivos – Projeto Fidalga, Fonte, Vão e Hermes -, locais que concentram ateliês de nomes como Ding Musa, Carla Chaim, Ivan Padovani e Nino Cais.

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21
abr
2018
SPFWN45 POW! Explosão Criativa

POW

Saí, lá onde já sei já fui, já voltei.

Foi bom quase nunca.

Quando foi bom foi quase quase.

Bom é viver. Desejo tanto, tanto,

Faço o serviço, dou o sorriso.

Viver é o plano. Não entrar pelo cano. 

Viver com V de vitória.

Escrita nas estrelas está a vida longa e a glória. 

Quero o futuro longo. O prazer todo de durar o tempo todo. Ser feliz bastante. Pra durar 80 anos pra ficar.

Os vestidos todos.

A revolução.

Minha vida será um amorzão longo muito longo. 

Conrado Segreto, 1991 

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SPFWN45 POW! EXPLOSÃO CRIATIVA 

A edição 45 do São Paulo Fashion Week, de 21 a 26 de abril, celebra o poder transformador da energia criativa e ocupa de forma inédita o Pavilhão das Culturas Brasileiras Engenheiro Armando de Arruda Pereira, que integra o departamento dos Museus Municipais da Secretaria de Cultura de São Paulo, no Parque Ibirapuera.

“Enquanto o país se desenha para as desistências, a gente se desenha para o futuro. Somos resilientes, acreditamos sempre na força da criação. Nosso papel é inspirar, fomentar e manter a roda sempre girando. O mais importante é o Calendário e o fazer. A constante reinvenção da moda. É o que tem que ser, todos lutando diariamente pelo seu espaço”, afirma Paulo Borges.

A partir do pensamento do multi artista Conrado Segreto, o SPFW reitera seu compromisso com a liberdade vital da expressão. Viver intensamente a criação era o que movia esse ícone da moda brasileira, que teve uma breve e explosiva carreira entre meados dos anos 80 e inicio dos anos 90.  De lá pra cá, o mundo mudou radicalmente. Em menos de duas décadas, o SPFW se firmou como um processo estruturado de longo prazo, tendo como eixo o design e a identidade na construção de um legado de valor e transformação.

“Queremos reiterar a paixão e o encantamento pela criação. Nosso papel é buscar a emoção das pessoas com resultados relevantes num mundo sempre em movimento com novos desafios e aprendizados que nos tiram da zona de conforto”, diz Paulo Borges.

A criação como impulso de vida é o fio condutor da exposição POW! Explosão Criativa que marca a edição. Um recorte do acervo de Arte Plumária do Pavilhão das Culturas Brasileiras dialoga com roupas, textos e ilustrações de Conrado Segreto. Peças originais do estilista são o ponto de partida para a criação de um olhar novo assinado por um time de stylists e fotógrafos que propõem a imagem de moda hoje. No dia 22 de abril, a exposição estará aberta, entre 11h e 16h, ao público geral.

Ponto Firme 

O SPFWN45 abraça o desfile do projeto Ponto Firme, criado pelo designer e artesão Gustavo Silvestre, que apresenta de forma inédita uma coleção criada e desenvolvida por detentos da penitenciária Desembargador Adriano Marrey, em Guarulhos (SP).

“Quando começamos o projeto o foco do trabalho era ensinar a técnica do crochê e oferecer uma alternativa para eles se profissionalizarem. Com o passar do tempo, percebi que era possível desenvolver uma coleção de roupas e começamos a trabalhar com força e aumentar o tempo de oficina. O desfile no SPFW nos permitirá mostrar outros caminhos possíveis de reintegrá-los na sociedade, valorizando o trabalho de forma criativa”, afirma Gustavo Silvestre.

A coleção que será apresentada no São Paulo Fashion Week é resultado do trabalho de nove meses desenvolvido por Gustavo com uma turma de 20 alunos, inspirado no dia a dia dos detentos na penitenciária e no sonho de liberdade.

“Uma das premissas do SPFW é a transformação, educação e formação, enxergar outras possibilidades e oportunidades. Ter um projeto como o Ponto Firme dentro do evento reafirma nosso compromisso com a sociedade de mostrar que a moda, o design, o fazer criativo podem realmente mudar a vida das pessoas”, ressalta Paulo Borges.

Ao longo de sua história, o São Paulo Fashion Week sempre abraçou causas importantes que refletem o compromisso do evento com a projeção de temas de responsabilidade e inclusão social, expondo à discussão questões complexas e delicadas como a saúde dos modelos, a violência doméstica contra a mulher, a questão racial, o consumo consciente e a diversidade de gêneros entre outros.

O Projeto Ponto Firme, protagonista da edição 45,  oferece aulas de crochê para detentos como formação técnica artesã. O tempo dedicado às aulas contribui para a ressocialização, o desenvolvimento da concentração e melhoria das relações a partir da terapia ocupacional. Os detentos participantes ganham certificação e também remissão de pena. Desde sua criação em 2015, mais de 100 alunos já se formaram com o Ponto Firme. 

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20
abr
2018
Sesc Belenzinho apresenta em maio mostra YOYO

Tudo que vai, volta, com trabalhos de artistas como Dudi Maia Rosa, Guto Lacaz, Regina Silveira e Sandra Cinto

41409586301_4f93874d79_kSetamancos, de Lia Chaia| crédito: divulgação 

Enxergar a Arte como parte da vida e do cotidiano. Entender que para se aproximar dela não é necessário conhecimento ou técnicas artísticas prévias, mas uma disposição para apreender o mundo. Enxergá-la em cada gesto, cada brincadeira, cada pensamento. E, principalmente, entender que as crianças são público de arte e que as exposições devem buscar acolhê-las e aproximá-las de seu universo. São as máximas por trás de YOYO – Tudo que vai, volta, mostra de arte contemporânea voltada para o público infantil que o Sesc Belenzinho apresenta a partir do dia 5 de maio.

A exposição é uma coletiva de nove artistas contemporâneos em atividade, que criaram ou identificaram em sua produção obras que valorizam o diálogo amplo e direto com as crianças. O projeto, que tem curadoria de Ricardo Ribenboim, foi idealizado por Liana Mazer, editora da revista infantil independente YOYO, em parceria com Renata Rödel, Diretora Adjunta da Base7 Projetos Culturais.

“Para o Sesc, avançar mais além de concepções funcionalistas da arte significa abrir espaços a maneiras diversas de pensar e agir e uma disposição para correr riscos, surpreendendo-se com novos olhares e maneiras de interagir. E sabendo da importância de vivências passadas na construção de caminhos futuros, estimular outras idas e vindas neste universo”, afirma Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do Sesc São Paulo.

Na interlocução com os artistas, foram selecionados trabalhos e instalações que podem ser experimentadas das mais variadas formas. O movimento lança-se então como fio condutor da exposição, e a interação com o público é a forma de impulsioná-lo. Segundo Ricardo Ribenboim, “Os significados da exposição se movimentam a partir da interação. Você gira uma manivela, por exemplo, e vê a obra acontecer diante de si”.

Dudi Maia Rosa, Franklin Cassaro, Gisela Motta, Guto Lacaz, Leandro Lima, Lia Chaia, Raul Mourão, Regina Silveira e Sandra Cinto escancaram ao público o funcionamento de seus trabalhos e expõem suas inspirações, sugerindo uma discussão franca sobre o fazer artístico. São artistas contemporâneos, de diversas idades e com experiências diferentes. O que os une é a disponibilidade em participar de um desafio que é criar e pensar seus trabalhos em diálogo com um público específico, as crianças.

“Partilhamos a crença de que não existe uma única linguagem indicada para o público infantil e que a investigação de formas de contar, mostrar e de fazer é comum entre as crianças e os artistas”, afirma Ribenboim. “Além disso, acreditamos que intensificar nossa experiência do mundo e nos fazer refletir sobre ela é uma das funções da arte nos dias de hoje, que pode ser plenamente usufruída pelo público infantil”, completa.

Na exposição, Dudi Maia Rosa, por exemplo, cria uma instalação com ampliações de imagens de céus com nuvens estáticas e a partir das quais convida as crianças a registrarem, tal como ele, os frutos da imaginação em desenhos num papel. Já a dupla Gisela Motta e Leandro Lima transforma o mais fundamental acontecimento da vida em arte: sob a forma de inúmeros balões, cria um grande e múltiplo pulmão, que infla e desinfla no compasso da respiração.

A instalação de Regina Silveira é concebida como uma obra em progresso, ou seja, ela continua sendo feita mesmo depois da abertura da exposição. Em parceria com as crianças, a artista brinca com o desenho de sombras de objetos comuns. As crianças e a artista fixam essas imagens pendurando-as na parede.

Os trabalhos de Guto Lacaz e Sandra Cinto acontecem quando manivelas são acionadas. Bondinhos correm pelo espaço e um mar revolto se agita, respectivamente. Dois outros artistas, Raul Mourão e Franklin Cassaro, exploram o movimento ainda de outra forma, fazendo ver como seus trabalhos assumem aspectos diferentes ao se tornarem dinâmicos.

Ponto chave da curadoria, a interação entre aquilo que está exposto e o público foi buscada de diversas maneiras: seja pela interação direta com as obras, seja pela proposição de uma série de oficinas, que visam possibilitar aos visitantes uma livre aproximação das crianças com o fazer artístico. Nesse contexto, ganha destaque o papel do Núcleo Socioeducativo do Sesc Belenzinho.

As atividades concebidas pelo Educativo tomam como ponto de partida a reflexão sobre o lugar que ocupamos no mundo. Em YOYO – Tudo que vai, volta, as narrativas criadas na mediação contextualizam os trabalhos através de poéticas que, além de emprestar fantasia à realidade dada, alarga os limites sensíveis de cada indivíduo, imprimindo uma dimensão cultural, social e política inesperada às mesmas obras.

“Sem dúvida alguma, a parceria com o Sesc São Paulo amplia a dimensão sociocultural do projeto, que ganha reverberações várias a partir de um olhar dedicado às experiências vividas pelo público e aqui encaradas como legítimos procedimentos artísticos. Nesse sentido, é fundamental estarmos lado a lado de um dos espaços mais atuantes do Brasil, instituição que ao longo de sua história sempre teve uma forma franca e respeitosa de lidar com a diversidade de seu público, atuando na vanguarda das propostas expositivas”, afirma Ribenboim.

A mostra, que fica em cartaz até 22 de julho, contará com uma série de oficinas ministradas por parte dos artistas que integram a exposição, além de atividades realizadas pela equipe de educadores do Núcleo Socioeducativo do Sesc Belenzinho. Também será impressa uma edição especial da revista YOYO, com atividades e brincadeiras sobre arte contemporânea, além de entrevistas com os artistas, realizadas por crianças.

Feira YOYO

No fim de semana dos dias 26 e 27 de maio, o Sesc Belenzinho recebe ainda a Feira YOYO, primeiro evento de arte impressa e publicações independentes totalmente dedicado ao público infantil.

Dezenas de editores e artistas apresentarão ao público livros, zines, gravuras, ilustrações, adesivos, cartazes e as mais variadas obras gráficas destinadas às crianças e produzidas em pequena escala. A Feira prevê ainda a realização de conversa com pesquisadores e profissionais da área editorial, e oficinas artísticas, cuja programação será divulgada em breve.

Os interessados em participar da Feira Yoyo devem preencher e enviar um formulário disponível no site do Sesc até o dia 13 de abril.

Revista YOYO

Ponto de partida da exposição, YOYO é uma revista colecionável, que procura aguçar a curiosidade e ampliar o universo cultural das crianças por meio de uma série de atividades, criadas em colaboração com ilustradores, designers, escritores e fotógrafos.

Seu conteúdo é sempre criado a partir de um tema, escolhido pela possibilidade de criar conexões com diversas áreas do conhecimento, tais como Artes Plásticas, Música, Cinema, Literatura, Dança, Geografia e idiomas, além de questões ligadas à cidadania, sustentabilidade.

A revista YOYO ganha edição especial para a mostra, com direção gráfica de Kiko Farkas. A publicação estará disponível aos visitantes gratuitamente e servirá como material de mediação entre o público e a exposição. Na revista, as crianças descobrirão um pouco sobre o processo de criação de cada um dos trabalhos a partir do olhar de outras crianças, responsáveis por entrevistar os artistas e apresentá-los ao grande público. A publicação também inclui brincadeiras criadas pelos próprios artistas, que dialogam com seus trabalhos, e sugestão de atividades que extrapolam o espaço expositivo. Para além disso, o público poderá interagir com as obras, e sobre elas refletir, fazendo conexões com a vida cotidiana.

“O projeto, como um todo, tem o intuito de aproximar as crianças das diversas linguagens e expressões artísticas contemporâneas ampliando assim suas experiências com o universo da arte”, afirmam Liana Mazer e Ricardo Ribenboim.

Serviço
YOYO – Tudo que vai, volta
Local: Sesc Belenzinho
Abertura: Dia 5 de maio, às 11h.
Visitação até 22 de julho de 2018. De terça a sábado, das 10h às 21h; domingos e feriados, das 10h às 19h30
Endereço: R. Padre Adelino, 1000 | Belenzinho
www.sescsp.org.br/
Entrada gratuita

 27538698078_9e6bce5bb8_kUm rei tolo será, de Dudi Maia Rosa | crédito: divulgação 

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18
abr
2018
Fátima Scofield | Verão 2019 – Minas Trend

Fátima Scofield – Marca estreia nas passarelas do Minas Trend

O vazio é uma “possibilidade ainda a ser preenchida”. 

Kenya Hara

Fátima Scofield estreia nas passarelas do Minas Trend com sua coleção de Verão 2019. Em sua primeira apresentação, a marca explora o conceito do ma: uma abertura entre o espaço e o tempo que dá forma à vida. Um exercício que traz a tona uma minuciosa criação de fluidos e esvoaçantes. “O vazio aqui é possibilidade e expectativa, iminência de acontecimentos entre o corpo e a vestimenta” diz Fátima Scofield.
335607_782263_whatsapp_image_2018_04_17_at_18.53.23_web_ 335607_782269_whatsapp_image_2018_04_17_at_18.53.28__1__web_ 335607_782271_whatsapp_image_2018_04_17_at_18.53.28_web_ 335607_782272_whatsapp_image_2018_04_17_at_18.53.31_web_ 335607_782252_whatsapp_image_2018_04_17_at_17.57.14__1__web_ 335607_782257_whatsapp_image_2018_04_17_at_17.57.14_web_

A coleção aponta o novo momento da grife com vestidos longos de seda pura que esbanjam movimento e fluidez, destaque predominante da temporada. Com inspiração em lingeries e pijamas de seda, as transparências são as novidades da coleção. Os materiais são ricos e preciosos, como o chiffon de seda, georgette de seda, crepe e cetim de seda, em um mix de texturas que conferem modernidade e a leveza retratada pela marca.

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Estampas de florais aquarelados foram criadas pelo designer Gabriel Lima, especialmente para a grife, com direção do estilista Daniel Correa. A cartela de cores explora uma ampla gama de tons, ressaltando o turquesa, coral, goiaba, verde esmeralda, cereja e amarelo louro.

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Com styling de Renata Correa, o début de Fátima Scofield na passarela do Minas Trend aconteceu no segundo dia do evento, dia 17 de abril, às 16 horas. O designer Alexandre Dellela assina as sandálias, idealizadas com exclusividade para a marca, assim como a grife mineira de bolsas Isla, que junto com Fátima, criou algumas peças com a proposta de reforçar a identidade única da marca. O shape escolhido para as clutches foi o redondo remetendo ao tema da coleção, e as bolsas foram revestidas manualmente com estampas e prints exclusivos que serão vistas à primeira mão no desfile.

Ficha Técnica – Minas Trend

Direção Geral: Fátima Scofield

Direção Criativa: Daniel Correa

Direção Executiva: Laura Scofield

Beleza e Hair: Ricardo dos Anjos

Styling: Renata Correa

Trilha Sonora: Max Blum

Parceiros: Alexandre Dellela e Isla

Equipe: Rachel Vorcaro, Gabriel Lima, Janaína Andrade, Leonardo Leite, Caio Martins, Cláudia Pisso, Felipe Scofield

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17
abr
2018
Lucas Magalhães | Verão 2019 – Minas Trend

Lucas Magalhães apresenta seu Verão 2019 guiado pela afetividade das relações pessoais e movido pela busca de uma moda própria, com vontade de dialogar e se conectar, inspirada na intensa troca de cartas entre os artistas modernistas. Traz o resgate da autoestima promovida pela Semana de Arte Moderna de 1922.

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Sergio Caddah/ FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verão 2019 – Foto : Sergio Caddah/ FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Sergio Caddah/ FOTOSITE

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Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Sergio Caddah/ FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Sergio Caddah/ FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Sergio Caddah/ FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Sergio Caddah/ FOTOSITE

Nesta temporada, o estilista se une a seis marcas para lançar uma coleção construída de forma colaborativa, com imensa troca de experiências e ideias. A camisaria é feita em parceria com Valéria Mansur; as calças nascem de uma collab com a marca paulista Ateliê de Calças; já as bijoux foram criadas por Mariah Rovery e sua Flexjewel; a Lucchetto, pela segunda vez, desenvolveu as bolsas desejo da marca; os sapatos femininos são assinados por Paola Fabris e os tênis masculinos são da marca italiana Superga, customizados especialmente para Lucas Magalhães.

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Ze Takahashi / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Ze Takahashi / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Ze Takahashi / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Ze Takahashi / FOTOSITE

Lucas Magalhaes Minas Trend - Verao 2019 Foto : Ze Takahashi / FOTOSITE

Lucas Magalhaes – Minas Trend – Verao 2019 – Foto : Ze Takahashi / FOTOSITE

Tecnologia e tato entregam mais personalidade aos tecidos que surgem em um mix de tinta, silk, estampa digital, bordados computadorizados e manuais dando vida às peças ultramodernas do estilista. O tricô experimenta leveza em novas misturas de fios e cores.

FICHA TÉCNICA:

Direção Criativa: Lucas Magalhães

Styling: Mariana Sucupira

Direção desfile: Roberta Marzola

Direção de Casting: Ale Queiroz

Beleza: Ricardo dos Anjos

Trilha: Max Blum

Apoio: Texprima

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