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abr
2018
SP-Arte/2018 apresenta crescimento nas vendas e aponta para retomada e otimismo do mercado

34 mil pessoas passaram pelo Pavilhão da Bienal durante os cinco dias de evento que reuniu mais de 160 expositores

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A 14ª edição da SP-Arte, que aconteceu de 11 a 15 de abril, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, contou com a participação de 132 celebradas galerias nacionais e internacionais de arte e de 33 expositores de design, entre galerias e artistas independentes. Edição mais concorrida, passaram pelo evento cerca de 34 mil pessoas.

O Festival, mais uma vez, reforçou o seu caráter plural, abraçando através da programação e seleção dos seus expositores diversas linguagens e manifestações artísticas. A intensa agenda de eventos que acompanhou a última semana em galerias e instituições culturais espalhadas pela cidade reforçaram o papel da SP-Arte como um agente impulsionador do consumo cultural. Acessíveis a diversos públicos, gratuitas e variadas, as atividades em torno da feira cumpriram também seu papel educativo e inclusivo, tanto socialmente como profissionalmente, possibilitando o acesso ao mercado de trabalho para novos artistas e profissionais do setor.

“Todos os indicadores econômicos recentes já sinalizavam para uma recuperação da economia brasileira. Iniciamos essa edição bastante otimistas e a nossa expectativa se confirmou: tivemos a concretização de ótimos negócios e um volume de vendas superior ao dos dois últimos anos”, afirma Fernanda Feitosa, diretora e idealizadora da SP-Arte.

“Cerca de 20% das obras negociadas custavam entre R$ 5 mil e R$ 10 mil e 30% até 50 mil reais. Esses números refletem uma oxigenação do cenário que a SP-Arte vem acompanhando ao longo de suas últimas edições, observada através da abertura de novos espaços e da formação de um novo público de colecionadores e apreciadores de arte”, reforça Fernanda Feitosa. “Ao mesmo tempo, o interesse do público por obras de artistas já consagrados se manteve. 37% das obras vendidas tinham estavam na faixa de R$ 50 mil a R$ 250 mil. E outras 16%, superam os R$ 250 mil”, complementa Fernanda.

Foram registrados bons negócios em todos os setores do evento, Solo, Repertório, Geral, Design e Núcleo Editorial. Entre os artistas brasileiros mais procurados , destaque para Abraham Palatnik, Alfredo Volpi, Arnaldo de Melo, Denise Milan, Franz Krajcberg, Lygia Pape, Marina Weffort, Nelson Leirner, Paulo Nazareth, Regina Parra, Rubem Valentim, Simone Cupello, Vik Muniz, Waldemar Cordeiro, entre outros. No campo internacional, destaque para os artistas Ai Weiwei, Antoni Tàpies, León Ferrari, Liliana Porter, Mladen Stilinovic e Roy Lichtenstein.

Destaques

Mais uma vez, a SP-Arte atraiu as mais renomadas galerias de arte do mundo, de 15 países distintos. A alemã neugerriemschneider, por exemplo, apresentou trabalhos do sueco Andreas Eriksson e do dinamarquês Olafur Eliasson, além da instalação do artista e ativista chinês Ai Weiwei – a peça foi uma das mais fotografadas pelos visitantes.

A londrina Stephen Friedman trouxe trabalhos em madeira de Stefan Balkenhol, artista que atualiza a tradição alemã de escultura entalhada e pintada. Já a White Cube, que mantém espaços em Londres e Hong Kong, trouxe obras de nomes de peso como os ingleses Damien Hirst e Antony Gormley, e ainda do alemão Georg Baselitz.

A Mendes Wood DM chamou atenção por uma montagem expositiva que fugiu das tradicionais paredes brancas. O estande da galeria foi cercado pelas cortinas azuis de Daniel Steegmann Mangrané. Ao centro, uma instalação de Kishio Suga, além de trabalhos de Paulo Nazareth.

No setor Solo, destaque para o artista recifense Bruno Faria, da galeria mineira Periscópio. O jovem chamou atenção com a exposição de um veículo em pleno Pavilhão: uma Brasília sucateada, enferrujada, em referência à decadência da capital do País.

As esculturas de Ilya Fedotov-Fedorov marcaram a estreia da Rússia no Festival com a galeria Fragment. Os trabalhos em tecidos de Marina Weffort, da Cavalo, encantaram o público pela delicadeza: moviam-se a cada brisa ocasionada pela aproximação dos transeuntes às obras.

No Repertório, a gigante americana Marian Goodman marcou presença com peças do francês Christian Boltanski. Entre as galerias nacionais que participaram do setor, a Sé, que apresentou uma série inédita de Arnaldo de Melo e Jaqueline Martins, com trabalhos do pintor e gravador gaúcho Victor Gehrard. Ainda pouco conhecidos pelo grande público, os dois artistas foram bastante procurados pelos colecionadores. Os bambus coloridos de Ione Saldanha também chamaram atenção dos visitantes no estande da Almeida e Dale.

A 14ª edição da Feira contou com a estreia de 29 galerias de arte, do Brasil e do mundo. Entre as 16 nacionais que pela primeira vez ocuparam estandes no Pavilhão da Bienal, 12 são de São Paulo e sua região metropolitana. É o caso, por exemplo, das novatas Adelina, Verve e OMA, Janaina Torres e Houssein Jarouche, todas, ao final do Festival, satisfeitas com o resultado.

Novidades

O setor Performance foi um dos destaques desta edição. Em um espaço dedicado a esta prática artística, o público pôde assistir a cinco performances simultâneas e ininterruptas, selecionadas por Paula Garcia, curadora independente e colaboradora do Marina Abramovic Institute.

Os artistas participantes permaneceram no local por todo o período do Festival, da abertura do Pavilhão até o cerrar das portas, dia após dia, em um exercício de resistência física e mental.

A dupla Protovoulia, formada por Jéssica Goes e Rafael Abdalla, criou cenários com uma grande quantidade de cinzas, terra e porcelanas. Ao longo dos dias, a dupla cercou a mesa do performer e chef Gabriel Vidolin e chegou a trocar de lugar com Karla Girotto, artista que improvisou coreografias por horas a fio.

O coletivo Brechó Replay promoveu uma série de ações chamando a atenção para a opressão sofrida pela população negra. Pouco a pouco, a causa tomou forma sobre as paredes que os cercavam, com frases com alusão à luta. Em meio a esse movimento, Paul Setúbal se mantinha concentrado enquanto sustentava uma escultura de 250 quilos de Franz Weissmann, se esforçando para não deixar que o monumento cedesse ao peso.

Mais uma vez, as visitas guiadas temáticas fizeram sucesso entre os visitantes. Em um universo de cerca de 2 mil artistas e mais de 5 mil obras, os circuitos se intercalaram, oferecendo ao público um olhar apurado acerca dos principais destaques desta edição. Os encontros, que reuniram mais de mil pessoas, foram guiados por profissionais da área.

Design

No setor Design, o público pôde conferir espaços organizados por 33 expositores, de grandes destaques do design brasileiro autoral, a respeitados antiquários e designers independentes – outra novidade desta edição.

Dos 12 criadores independentes, Ana Neute por Itens destacou-se com luminárias de capim dourado, fibra típica do Jalapão. A estreante Micasa foi ponto certo de visitantes com peças de ícones do surrealismo da arquitetura catalã: Salvador Dalí, com Leda Chair e Antoni Gaudí, autor do Banco Batlló e da Calvet Chair.

Entre os estandes em evidência, a Firma Casa foi sucesso de público com lançamento da coleção Astral, da arquiteta Candida Tabet, com nove peças exclusivas inspiradas nas formas do balaústre, elemento típico da arquitetura europeia. Jacqueline Terpins apresentou vasos de cristal incandescentes inspirados em blocos de gelo. Já a Prototyp& lançou uma linha inédita, com peças que evidenciam a conexão entre a pureza dos materiais e elementos xamânicos e indígenas.

A Etel apostou no certo: apresentou a coleção Únicos e múltiplos, que trouxe peças de três designers e arquitetos brasileiros: Jorge Zalszupin, Paulo Werneck e Oscar Niemeyer. A Ovo, por sua vez, chamou atenção com as duas linhas inéditas que apresentou ao público: Xeque, série de seis mesas inspiradas no jogo de xadrez, e Escrita, conjunto de cabideiros de aço carbono com banho de bronze.

As tapeçarias da Passado Composto do Século XX, uma delas reproduzida a partir de uma pintura de Alfredo Volpi e outra assinada por Genaro de Carvalho, também se destacaram no último piso do Pavilhão. Outro destaque do setor foi a exposição idealizada especialmente pela SP-Arte com 16 carrinhos de chá, assinados por nomes emblemáticos como Gregori Warchavchik, Lina Bo Bardi, Zanini de Zanine e Jorge Zalszupin, compreendendo nove décadas do design brasileiro.

Lançamentos

Importante plataforma de impulsionamento editorial nas artes, a SP-Arte recebeu o lançamento de mais de 30 publicações. O evento reuniu destacadas editoras e nomes do mercado de arte brasileiro e estrangeiro. Os lançamentos foram coletivos, atraindo um público diverso e garantindo uma interação constante no local.

Entre os títulos destacados, Cildo – estudos, espaços, tempo (editora Ubu); Beijing Overshoot, de Cláudia Jaguaribe (Estúdio Madalena); Carla Chaim (Cobogó); e O círculo de Theon Spanudis (Cult Arte e Comunicação).

Talks

Já tradicional na programação da SP-Arte, o programa Talks cumpriu sua missão e fez da 14ª edição do Festival Internacional de Arte de São Paulo um ambiente fértil para o diálogo sobre temas atuais e relevantes do campo das artes visuais.

Os cinco encontros – gratuitos e abertos reuniram artistas, colecionadores e especialistas de cultura em palestras e debates com o público. As mesas foram transmitidas ao vivo pelo Facebook da SP-Arte e contaram com a apresentação da jornalista Adriana Couto.

O painel de abertura do ciclo de debates abordou a arte e a diversidade de gênero. Participaram Ariel Nobre e Rosa Luz, artistas criadores de trabalhos multimídia bastante diferentes entre si, com um tema comum: a luta pela representatividade e empoderamento de trans e travestis. A conversa foi mediada por Paula Alzugaray, editora da revista Select, cuja última edição foi dedicada ao tema.

A relação da performatividade com o combate contra exclusão, social ou de gênero, foi o tema da conversa entre Paula Garcia, curadora do setor de Performance da SP-Arte, e dos artistas visuais Maurício Ianês e Bruno Mendonça. No terceiro encontro Raul Juste Lores, autor do livro São Paulo nas Alturas, fez um resgate sobre o “milagre arquitetônico” que aconteceu em São Paulo entre as décadas de 1950 e 1960.

O universo digital e sua influência sobre as artes deu o tom do quarto painel, com Giselle Beiguelman, artista, curadora e professora da USP, que apresentou seu último trabalho Odiolândia. Luli Radfahrer, apresentou um panorama da história das redes sociais e uma projeção sobre seu futuro.

O último debate girou em torno dos colecionadores nos novos tempos. Akio Aoki, diretor da Galeria Vermelho, mediou uma conversa entre Aaron Cezar, da Delfina Foundation, com o colecionador Pedro Barbosa. Em seguida, a norte-americana Betty Duker falou de sua coleção de arte latino-americana. Por fim Pulane Kingston, da África do Sul destacou a força dos trabalhos de artistas negras africanas, foco de sua coleção.

Prêmios

A artista Brígida Baltar, da Galeria Nara Roesler, foi a vencedora do prêmio de R$ 25 mil concedido pela Fundação Marcos Amaro. A SP-Arte entregou o Prêmio Illy Sustain Art de R$ 25 mil ao artista Rodrigo Cass, da Fortes D’Aloia e Gabriel.

Laura Belém, da galeria Athena Contemporânea, foi ganhadora do Prêmio de Residência SP-Arte de 2018, promovido em parceria com a Delfina Foundation, de Londres (Reino Unido). E Túlio Pinto, da Baró Galeria, foi nomeado para o prêmio latino-americano de aquisição EFG Bank & ArtNexus, criado para apoiar artistas cujo trabalho é pré-selecionado através de um processo de júri em cinco feiras de arte contemporânea do continente.

Doações

Durante a SP-Arte, uma série de instituições culturais foram agraciadas com trabalhos expostos no Pavilhão da Bienal, fruto de doações generosas dos amantes da arte. Até agora, doze obras já foram listadas como doações realizadas no Pavilhão, contemplando instituições como o MAM e a Pinacoteca.

Programação externa

Em 2018, a SP-Arte consolidou seu formato como Festival, lançado na última edição, espalhando-se pela cidade para além dos limites do Ibirapuera. Entre os dias 5 e 15 de abril, São Paulo recebeu cerca de 200 eventos voltados à arte e ao design: inúmeras aberturas de exposições e visitas guiadas em galerias e museus, performances, lançamentos de livros e uma série de atividades especiais que reuniram o melhor da arte brasileira e internacional por toda a cidade.

Nos dias 9 e 10 de abril, a capital paulista abrigou a terceira edição do Gallery Night, iniciativa que reuniu cerca 50 galerias e importantes espaços culturais paulistanos com o intuito de impulsionar o mundo das artes da cidade nos dias que antecederam o festival. Ao longo das duas noites, os apreciadores da arte puderam aproveitar a efervescência cultural da cidade ao circular pelos bairros de Pinheiros, Vila Madalena, Jardins e Itaim Bibi.

Entre os destaques, Turbulência, evento do Instituto Tomie Ohtake que reuniu uma intensa programação, entre conversas com artistas, visitas com curadores e ainda performance inédita de Bené Fonteles.

No dia 14, o público teve a oportunidade de visitar mais de 30 ateliês de artistas. Na ocasião, os artistas não só abriram a porta de seus espaços de criação ao público, mas também versaram sobre seus processos, linhas de pesquisa e apresentaram obras inéditas. Concentrado na Vila Madalena, o circuito permitiu passeios a pé entre quatro espaços coletivos – Projeto Fidalga, Fonte, Vão e Hermes -, locais que concentram ateliês de nomes como Ding Musa, Carla Chaim, Ivan Padovani e Nino Cais.

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